<font color=0039dd>Inabalável confiança no futuro</font>
No concelho de Loures o aniversário da Revolução do 25 de Abril foi comemorado no domingo, 24, com um mega almoço onde se reafirmou a fidelidade aos seus valores, que são força e guia de acção para a construção de um Portugal desenvolvido, de progresso e justiça social.
Lutar por Abril é materializar na vida os seus valores
O Pavilhão José Gouveia, em S. João da Talha, foi uma vez mais o local escolhido pela organização concelhia do PCP para esta iniciativa que teve a adesão de muitas centenas de pessoas e que contou com a participação de Bernardino Soares, presidente da Câmara Municipal de Loures, e do Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
O momento político começou com Patrícia Gonçalves, que apelou à participação no desfile do 25 de Abril e à manifestação do 1.º de Maio, em Lisboa, e saudou as lutas recentes e em curso travadas no concelho (dos trabalhadores da Valorsul ou da Triunfo, das populações de Santa Iria de Azóia, Sacavém, Santo António dos Cavaleiros, Santo Antão do Tojal, Fanhões, Bucelas, por melhores serviços públicos, por exemplo).
Resistência
O Secretário-geral do PCP, na sua intervenção (na íntegra no sítio do Avante! na Internet) lembrou o percurso colectivo de 42 anos, feito de conquistas e avanços, mas também de retrocessos impostos por sucessivos governos que tornaram o País «mais frágil, mais desigual e injusto, mais dependente e mais empobrecido».
Retrocessos que se acentuaram com as políticas de exploração e empobrecimento do governo PSD/CDS, lembrou, anotando, todavia, que nunca a «confiança num futuro diferente» foi abalada.
Confiança, resistência e luta que estiveram na base da derrota que o povo impôs ao PSD e CDS em Outubro de 2015 e que «permitiu com a decisiva iniciativa do PCP abrir uma nova fase da vida política do País».
Jerónimo de Sousa assinalou que se os tempos que vivemos «ainda não são os de uma clara ruptura com a política de direita a que aspiramos, nem estão asseguradas as condições para dar corpo a uma mudança de rumo que afirme os valores de Abril na sua plenitude», não é menos verdade que «está aberta uma janela que queremos e tudo faremos para que seja de esperança no desenvolvimento de um caminho capaz de dar resposta e solução aos graves problemas que o País enfrenta».
«Não é ainda a solução de fundo que a nosso ver o País precisa para enfrentar os graves problemas com que está confrontado, mas estamos hoje, e na nova situação criada, em melhores condições para o desenvolvimento da luta contra a política de direita e pela exigência de uma verdadeira mudança de rumo na vida nacional», realçou o líder do PCP, antes de enumerar o conjunto de medidas positivas que foi possível já concretizar, nomeadamente no que toca à «reposição de direitos e rendimentos extorquidos nestes anos de PEC e troika» e que dão resposta a «aspirações mais imediatas dos trabalhadores e do povo».
Não às pressões
Essa é a razão, disse, de tanta «oposição, crispação e zanga» do «grande capital nacional e transnacional e das forças políticas que os servem». «Foi isso que vimos durante o período de preparação e aprovação do OE para o presente ano. É isso que estamos a ver com a operação de chantagem em curso, envolvendo a União Europeia, o FMI e o BCE, acolitados pelos partidos derrotados em Outubro», com a exigência de medidas de exploração e empobrecimento que visam o «congelamento e redução dos salários, uma nova desregulação das leis laborais, a subversão do sistema de segurança social e a degradação das reformas e pensões», denunciou Jerónimo de Sousa, defendendo que é preciso prosseguir a luta e «recusar com firmeza» tais pressões e chantagem vindas de quem quer cortar salários e reformas mas simultaneamente impõe a entrega de três mil milhões de euros para «resolver os problemas dos banqueiros», os mesmos que impõem a «ditadura do défice a ferro e fogo» mas «fecham os olhos ao colossal roubo ao Estado e aos contribuintes de milhares de milhões de euros desviados para os offshores».
Antes, Catarina Arrojada, da JCP, afirmara já a sua forte confiança no futuro, alicerçada na convicção de que é pela luta que se abre caminho à resposta aos problemas e aspirações dos jovens. Luta como por exemplo a que ocorreu em Março na Escola Secundária Dr. António Carvalho Figueiredo, onde os alunos fizeram ouvir a sua voz pela gratuitidade dos manuais escolares, pelo fim dos exames nacionais, contra a privatização da cantina que apenas trouxe pior qualidade da refeição e preços mais caros.
Confiança em todos os níveis de desenvolvimento do concelho de Loures foi também a tónica dominante no discurso de Bernardino Soares. Uma confiança fundada em bases objectivas, a começar pela resolução da dramática situação financeira em que a CDU encontrou a autarquia. «Não passámos a ser uma Câmara com muito dinheiro, mas passámos a ser uma Câmara com poucas dívidas», observou o edil, informando que a redução da dívida foi de 29 milhões de euros desde 2013 e que 90 por cento das facturas a fornecedores passou a ser paga com menos de 30 dias, ou seja, a tempo e horas. E sem aumentar os impostos e taxas municipais, sem cortar os direitos dos trabalhadores, sem diminuir o investimento. A «receita» é simples: introduziu-se regras na gestão autárquica que «permitiram acabar com o desperdício», participação das populações, transparência da gestão, descentralização nas juntas de freguesia.
Bernardino Soares deixou ainda uma certeza: «o concelho não abdica do seu papel reivindicativo», seja na exigência de melhores transportes públicos, na concretização de centros de saúde em falta, na luta pela reabertura do centro de emprego e segurança social em Sacavém.
E olhando ainda mais para o futuro, revelou que a Câmara está a apostar nos projectos de revitalização urbana e a planear com outros municípios a abertura da frente ribeirinha do Tejo.
Valores inalienáveis
Nesta nova fase da vida nacional, comemorar e lutar por Abril é, para Jerónimo de Sousa, «tomar a iniciativa de recuperar e materializar na vida os seus valores, desde logo os valores da justiça social, com a valorização do trabalho e dos trabalhadores e dos direitos sociais universais de todo o povo à saúde, à educação, à segurança social e à cultura».
Nesse sentido têm ido, de resto, muitas das medidas propostas em iniciativas legislativas do PCP (combate à precariedade laboral, consagração das 35 horas, por exemplo), propostas que, frisou, «consubstanciam uma verdadeira alternativa à política de direita».
Outro «combate inadiável de Abril por Abril», realçou o líder comunista, é «afirmar um Portugal livre e soberano», quebrando este ciclo de crescente submissão e subordinação do País».